Saúde

 

O quê é a Insuficiência Renal?

O termo “insuficiência renal terminal” designa uma fase avançada e irreversível da insuficiência renal, na qual os rins funcionam numa percentagem tão pequena da sua capacidade normal que se torna indispensável substituir a sua função através de diálise (técnica que substitui, em parte, o trabalho dos rins), ou de um transplante real.
A diabetes é a causa principal de insuficiência renal crónica que pode atingir a fase terminal, podendo a doença renal surgir como consequência da diabetes tipo 1 ou tipo 2. Em qualquer dos tipos, um controlo inadequado do açúcar no sangue e da tensão arterial aumenta o risco de agravamento para a fase terminal. Outras causas comuns de insuficiência renal terminal incluem:
⇒Hipertensão arterial
⇒ Aterosclerose
⇒Doenças reumáticas ou auto-imunes
⇒Doenças genéticas, como a doença renal poliquística
⇒Exposição a medicamentos tóxicos, incluindo:determinados antibióticos
quimioterapia
⇒substâncias de contraste
⇒analgésicos.
Sintomas
Os sintomas da insuficiência renal em fase avançada incluem:
⇒Perda de peso
⇒Náuseas ou vómitos
⇒Mal-estar geral
⇒Fadiga
⇒Dores de cabeça
⇒Soluços
⇒Prurido (comichão)
⇒Diminuição da diurese (isto é, diminuição da quantidade total de urina eliminada diariamente)
⇒Equimoses (“nódoas negras”) ou hemorragias fáceis
⇒Letargia (“fraqueza”)
⇒Dificuldade em respirar
⇒Convulsões
⇒Os sintomas podem permanecer ligeiros ou ausentes até a função renal diminuir para menos de 20% do normal, altura em que se atinge a insuficiência renal terminal. A partir daí a diálise é urgente quando ocorre uma ou mais das seguintes situações:
⇒Inflamação da membrana (pericárdio) que envolve o coração
⇒Sobrecarga de líquidos ou insuficiência cardíaca congestiva (com acumulação de líquido nos pulmões) que não é possível ser tratada com medicamentos.
⇒Elevações perigosas dos níveis de potássio, de sódio ou de ácidos no sangue (estas substâncias podem afectar a forma como os outros órgãos funcionam)
⇒Confusão mental, depressão do estado de consciência (“sonolência” excessiva) ou convulsões
⇒Hemorragia relacionada com a insuficiência renal que não se consegue controlar através de outros meios
⇒Náuseas e vómitos graves, incoercíveis (isto é, que não se conseguem parar)
Também pode ser necessária diálise se os sintomas afectarem a qualidade de vida ou o estado nutricional do indivíduo, particularmente se esses sintomas forem acompanhados por alterações muito significativas das análises de sangue.

Diagnóstico
⇒A insuficiência renal é diagnosticada através de análises de urina e de sangue que avaliam os níveis de creatinina.
Podem ser necessários exames adicionais para determinar o motivo pelo qual os rins deixaram de funcionar.
Duração esperada
Quando se atinge a insuficiência renal terminal esta constitui uma doença para toda a vida, a menos que seja realizado um transplante renal. Mesmo com um transplante bem sucedido, será sempre necessário tomar medicamentos para o resto da vida.
Prevenção
Podem ser tomadas medidas para reduzir o risco de desenvolver uma insuficiência renal terminal:
As pessoas com diabetes devem controlar regularmente o açúcar no sangue (glicemia), e a tensão arterial.  Nos casos de hipertensão arterial deve ser feita uma monitorização cuidadosa e um tratamento agressivo, pois esta situação agrava a lesão renal já existente.
Nos casos de insuficiência renal, devem ser evitados os medicamentos de venda livre, particularmente os anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs), pois podem causar lesão renal. Estes medicamentos são muitas vezes utilizados para dores de cabeça, dentes, ossos e articulações.
Uma dieta com um conteúdo baixo de proteínas, sobretudo com menos carne, pode ajudar a diminuir a velocidade de progressão de uma insuficiência renal já existente. A abstinência tabágica e a redução dos níveis de colesterol podem igualmente ser úteis.

Tratamento
Os dois tratamentos da insuficiência renal terminal são a diálise e o transplante renal.
Diálise
Existem dois tipos de diálise:
Hemodiálise – Durante a hemodiálise, o sangue proveniente de uma veia, passa num circuito que inclui um filtro para remover os resíduos tóxicos do organismo, voltando a ser reintroduzido no corpo. A hemodiálise é geralmente realizada num centro específico para este procedimento e os tratamentos são efectuados três vezes por semana em sessões de três a quatro horas de duração.
Diálise peritoneal – Durante a diálise peritoneal, um líquido estéril (a que os médicos chamam “dialisante”) é introduzido no interior do abdómen através de um tubo fino maleável (catéter). Os produtos tóxicos acumulam-se gradualmente nesse líquido, que é retirado algumas horas mais tarde, para dar lugar à infusão de novo líquido dialisante. Este tratamento é mais demorado que a hemodiálise e deve ser realizado quatro a cinco vezes por dia no domicílio, podendo ser automatizado de forma a ter lugar durante o sono.

Transplante renal
O transplante renal permite à pessoa com uma insuficiência renal crónica em fase avançada suspender a diálise ou evitar o seu início. No entanto, mesmo um transplante renal bem sucedido não constitui uma “cura”, pois implica tomar medicamentos imunossupressores para o resto da vida para diminuir os riscos do corpo rejeitar o órgão do dador. Além disso, uma boa compatibilidade genética contribui para que transplante seja eficaz, sendo que a maior parte dos candidatos a um transplante têm de aguardar pelo menos um a três anos antes de conseguirem um rim compatível de um dador não pertencente à sua família. A maior parte das vezes os rins transplantados são provenientes de um dador cadáver, no entanto, é possível o transplante a partir de um dador vivo.

Quando consultar um profissional
As pessoas com diabetes, hipertensão arterial ou outras doenças que as coloquem em risco de desenvolver uma insuficiência renal crónica terminal devem ser avaliadas periodicamente. Estas avaliações devem incluir análises de urina e de sangue para quantificar a função renal. Se as análises de sangue indicarem a presença de uma doença renal, o médico irá provavelmente referenciar o doente para um nefrologista (especialista em doenças dos rins).
Deve contactar o médico se notar uma diminuição na diurese (quantidade de urina diária) ou outros sintomas de insuficiência renal em fase avançada. É necessário estar particularmente alerta se já sofrer de doença renal ou tiver factores de risco para esta doença.
Prognóstico
Quando ocorre uma falência renal, os tratamentos proporcionam esperança de uma boa recuperação. Muitas pessoas submetidas a diálise ou que receberam transplantes renais têm uma vida praticamente normal.

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